Este artigo responde a uma tarefa proposta na unidade curricular de Materiais e Recursos para eLearning do Mestrado em Pedagogia do E-Learningda Universidade Aberta.
Tendo como base a minha experiência como docente no Instituto Superior de Engenharia do Porto, no Departamento de Engenharia Informática, selecionei dois Recursos Educativos Abertos (REA) que complementam perfeitamente as unidades curriculares de Tópicos de Bases de Dados e Laboratório Projeto 1.


1) Identificação dos REA e Endereços

- REA 1: Bek’s Introduction to SQL Programming (“That Pelican Database Book”)
- REA 2: Pro Git
2) Critérios de Escolha (Fundamentados)
A escolha destes recursos baseou-se nos seguintes critérios:
- Alinhamento Curricular: O recurso de SQL cobre desde a criação de tabelas (DDL) até procedimentos avançados, essencial para Bases de Dados. O recurso de Git é vital para a gestão de código em projetos de desenvolvimento de software.
- Licenciamento Aberto: Ambos utilizam licenças Creative Commons, permitindo a partilha gratuita com os estudantes, o que reduz barreiras ao ensino.
- Abordagem Prática (“Hands-on”): O livro de Jon Bek foca explicitamente na prática, ideal para cursos de engenharia onde a aplicação direta é fundamental.
- Qualidade e Credibilidade: Pro Git é uma referência da indústria mantida por especialistas, enquanto o livro de SQL é uma edição de 2024, garantindo atualidade técnica.
- Multiplataforma/Dialetos: O recurso de SQL aborda as variações entre MySQL e SQL Server, o que é crucial para que os alunos compreendam a interoperabilidade no mercado de trabalho.
- Documentação de Apoio: O recurso de SQL inclui um “Workbook” complementar e guiões de scripts, facilitando a autoaprendizagem.
3) Adaptações Propostas

- Bek’s Introduction to SQL Programming: Devido à licença CC BY-NC-ND 4.0, não é permitida a distribuição de material modificado. Assim, a “adaptação” seria externa: criar um guião de laboratório no ISEP que faça a ponte entre os capítulos do livro e os seus vídeos do YouTube, focando nos dialetos específicos usados nas aulas.
- Pro Git: Sendo CC BY-NC-SA 3.0, este recurso permite adaptações. Poderia extrair e traduzir apenas o Capítulo 3 (Branching) para criar um “Guia de Boas Práticas de Controlo de Versões” específico para os projetos dos Laboratórios do ISEP, partilhando-o sob a mesma licença.
4) Atividade de Aprendizagem: “Do Modelo ao Repositório”
Esta atividade seria aplicada na cadeira de Laboratórios de Projeto.
Planeamento da Atividade:
- Objetivo: Implementar o esquema físico de uma base de dados e garantir o controlo de versões do script de criação.
- Recursos: Capítulo 2 de Bek’s Introduction (Criação de Tabelas) e Capítulo 2 de Pro Git (Fundamentos de Git).
- Fases da Atividade:
Estudo Preparatório: Os alunos leem sobre a criação de tabelas e integridade referencial (PK/FK) no REA 1.
Implementação: Em grupo, os alunos escrevem um script SQL para o seu projeto, utilizando os exemplos de “Common SQL” fornecidos pelo recurso.
Controlo de Versões: Utilizando o REA 2, os alunos devem inicializar um repositório Git, adicionar o script (git add) e realizar o primeiro commit (git commit), documentando o processo conforme as boas práticas de mensagens de commit.
Entrega: O docente valida o script SQL e o histórico de commits no repositório do grupo.
5) Conclusão
Para consolidar a compreensão destes processos, podemos pensar num script SQL como uma receita de cozinha detalhada que o sistema executa; já o Git funciona como uma máquina do tempo, que permite ao “chef” (programador) voltar atrás se um novo ingrediente (código) estragar o prato (projeto).
Enquanto docente e coordenador de área de TI que procura integrar metodologias ativas, tecnologias emergentes e práticas abertas no ensino superior e profissional, o repositório MERLOT contribui para uma pedagogia de qualidade, inclusiva e alinhada com os desafios contemporâneos da formação em Ciências Informáticas.
A adoção de REA não é apenas uma opção tecnológica, mas uma postura ética e profissional que reconhece a educação como um bem comum, acessível e partilhável (Nobre & Mallmann, 2017).
Referências
Downes, S. (2010). Agents provocateurs. Stephen’s Web. http://www.downes.ca/post/54026
Nobre, A. (2020). REA: de A a … Manual para identificar, procurar, utilizar, reutilizar, produzir e partilhar Recursos Educacionais Abertos. Universidade Aberta.
Nobre, A., & Mallmann, E. (2017). Recursos educacionais abertos: Transposição didática para transformação e coautoria de conhecimento educacional em rede. Revista Linhas, 18(36), 179-198.
Wiley, D. (2014). The access compromise and the 5th R. Iterating toward openness. http://opencontent.org/blog/archives/3221
Yuan, L., MacNeill, S., & Kraan, W. (2008). Open Educational Resources – Opportunities and Challenges for Higher Education. Educational Cybernetics: Reports. University of Bolton Institutional Repository.



Caro Pedro,
Apresentaste uma abordagem bem fundamentada dos REA selecionados, assim como a adptação para a tua prática letiva. Sendo a tua experiência profissional bastante diferente da minha, torna-se evidente a amplitude e versatilidade do universo REA, podendo resultar em um movimento exponencial de reproduções em cadeia.
Destaco a cuidado que tiveste ao analisar as licenças atribuídas aos REA selecionados e a forma criteriosa e criativa como adaptaste os recursos, tendo em conta a especificidade da licença de cada um.
Cumprimentos,
Laura
Olá Laura,
Muito obrigado pelas tuas palavras e pela leitura atenta do meu trabalho. É sempre enriquecedor perceber como a diversidade das nossas áreas de atuação, tu no ensino de línguas e eu na engenharia informática, reforça exatamente essa versatilidade dos REA que mencionas.
O teu destaque sobre a análise das licenças é bastante relevante. De facto, a questão da licença CC BY-NC-ND do recurso de SQL obrigou-me a pensar numa “adaptação externa” que respeitasse as restrições de não derivação, criando materiais complementares próprios que dialogassem com o recurso original, em vez de o modificar diretamente. Esta atenção ao cumprimento das condições de licenciamento é fundamental para a sustentabilidade do ecossistema REA.
O conceito de “reproduções em cadeia” que mencionas é particularmente interessante: cada REA adaptado pode inspirar novas adaptações por outros docentes, gerando esse efeito multiplicador que é uma das maiores potencialidades dos recursos abertos. No teu trabalho, que pode ser consultado em https://lmdistancelearning.blogspot.com/p/materiais-e-recursos-para-e-learning-1.html?lr=1768150781446 , ficou evidente essa mesma capacidade de adaptação criativa, especialmente na forma como personalizaste os recursos da plataforma LearningApps para o contexto do Halloween no 2.º ano, mantendo a gamificação e a motivação dos alunos.
Saudações Académicas,
Pedro Vasconcelos
Bom dia Pedro,
Votos de excelente 2026, com saúde e sucessos a todos os níveis!
Obrigada pela partilha do post.
Aprecio a simplicidade e clareza na apresentação das escolhas e da explicação relativa à adaptação e utilização pedagógica dos REAs, o que facilitou a compreensão para alguém, como eu, que não é do mesmo domínio técnico-científico.
Os critérios apresentados e a respetiva fundamentação parecem-me pertinentes e relacionados com a prática pedagógica concreta configurando uma mais-valia da análise.
Cumprimentos,
Judite Santos
Olá Judite,
Muito obrigado pelo teu comentário e pelos votos de um excelente 2026! Retribuo os mesmos desejos.
A tua apreciação sobre a clareza e simplicidade da apresentação é especialmente significativa, pois confirma que a comunicação pedagógica transcende barreiras técnicas (um dos grandes valores dos REA).
O teu trabalho que pode ser visualizado em https://aprenderdigital.blog/2026/01/07/selecao-adaptacao-e-integracao-de-recursos-educacionais-abertos-rea-em-contextos-educativos/ exemplifica precisamente essa universalidade: enquanto trabalho com SQL e Git na engenharia informática, tu exploras os infográficos nas artes visuais. Ambos partilhamos a mesma preocupação metodológica: critérios sólidos de seleção, adaptações contextualizadas e práticas pedagógicas que colocam o estudante no centro do processo.
Destaco a tua articulação entre formação de docentes e aplicação com alunos (PEA), criando um ciclo completo desde a produção até à utilização de REA. O teu infográfico sobre o ciclo de produção/adaptação de REA é particularmente útil e demonstra como diferentes áreas disciplinares enriquecem mutuamente o ecossistema aberto.
Saudações Académicas,
Pedro Vasconcelos
Olá Pedro,
Antes de mais, Parabéns pelo trabalho apresentado. Como sempre, a um nível Muito Bom.
O artigo apresenta uma proposta clara, consistente e pedagogicamente fundamentada para a integração de REA no ensino da Engenharia Informática. A seleção dos REA demonstra alinhamento curricular, atualidade técnica e forte orientação prática, aspetos que suponho sejam particularmente relevantes na formação em contextos de engenharia.
Os critérios de escolha são bem justificados, evidenciando conhecimento das licenças Creative Commons e das potencialidades pedagógicas dos recursos selecionados. As adaptações propostas revelam rigor no respeito pelas limitações legais dos REA e uma aplicação consciente dos princípios da educação aberta.
De resto, gostaria apenas de salientar a coerência da atividade de aprendizagem delineada, exequível e alinhada com metodologias ativas, promovendo competências técnicas essenciais, como a implementação de bases de dados e o controlo de versões.
Em síntese, trata-se de um trabalho bem estruturado, pertinente e alinhado com boas práticas de eLearning e de pedagogia aberta no ensino superior.
Continuação de bons trabalhos.
Olá Célia,
Muito obrigado pelo teu comentário tão generoso e pela análise do meu trabalho. É muito gratificante receber um feedback tão construtivo de alguém com a tua sensibilidade pedagógica.
Aprecio particularmente que tenhas destacado o aspeto da coerência entre as licenças Creative Commons e as adaptações propostas – foi realmente um exercício de rigor fundamental, pois a filosofia dos REA só faz sentido se respeitarmos os seus termos legais.
Ao ler o teu trabalho sobre Inclusão Digital, disponível em https://pedagogiasemrede.wordpress.com/2026/01/11/recursos-educacionais-abertos-e-inclusao-digital-estrategias-pedagogicas-para-ambientes-de-aprendizagem-online/ , fiquei impressionado com a profundidade da reflexão, especialmente sobre a acessibilidade e as NEE no ensino superior a distância. Enquanto o meu foco recaiu nas competências técnicas em Engenharia Informática, o teu trabalho lembra-me que a verdadeira abertura educativa implica também garantir que todos os estudantes possam aceder e beneficiar desses recursos, independentemente das suas necessidades específicas.
Esta complementaridade entre as nossas perspetivas, a tua focada na inclusão pedagógica e a minha nas competências técnicas demonstra bem a riqueza do universo REA que mencionaste.
Parabéns pelo excelente trabalho parceria e continuação de bons estudos!
Saudações Académicas,
Pedro Vasconcelos
Olá Pedro,
Parabéns pelo trabalho que mostra uma escolha bem pensada de REA, totalmente adequada às cadeiras de Engenharia Informática.
Os recursos selecionados combinam teoria e prática, garantindo que os alunos aprendam de forma útil e aplicada.
Gostei da atenção às adaptações, mesmo com limitações de licença, tornando os materiais acessíveis no contexto da aula.
A atividade “Do Modelo ao Repositório” é muito prática e envolvente, incentivando trabalho em grupo e uso real do Git.
No geral, é uma proposta clara, interessante e ética, mostrando como os REA podem tornar o ensino superior mais aberto e dinâmico e bem mais interessante para quem o frequenta.